COLÉGIO PASCHOAL DANTAS
PROF. MAURÍCIO – SOCIOLOGIA 3º
ANO ENSINO MÉDIO 2º
BIMESTRE 2017
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Pierre Bourdieu
"Pierre
Bourdieu, nascido em 1º de agosto de 1930, em Denguin (Béarn), morreu em Paris,
no dia 23 de janeiro de 2002. Eleito diretor, em 1965, da VI Seção
da École pratique des hautes études, que em 1975 se tornou École des
hautes études en sciences sociales, continuou sendo seu membro integral após
ingressar no Collège de France, em 1982, até se aposentar, no verão de
2001. A partir de 1968, dirigiu no Collège de France o Centro de
sociologia européia, fundado por Raymond Aron, onde criou, em 1975, sua célebre
revista, Actes de la recherche en sciences sociales, que dispõe de um
lugar à parte entre todas as revistas internacionais de sociologia,
especialmente em razão de sua abertura às outras ciências sociais. Como decano
da Assembléia dos professores, presidiu a cerimônia consagrada à eleição do
presidente daÉcole, em junho de 2000, e ainda esteve entre nós, em junho de
2001, para a eleição anual dos diretores". (ENCREVÉ, P; LAGRAVE, R-M.
Memória do trabalho, memória no trabalho. In: ENCREVÉ, P; LAGRAVE, R-M. Trabalhar
com Bourdieu. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005, p. 8)
Em
um interessante artigo, o sociólogo Loiq Wacquant, professor da Universidade de
Berkeley, definiu da seguinte forma a trajetória do sociólogo francês Pierre
Bourdieu: “Bourdieu ilustrou brilhantemente e desmentiu enfaticamente suas
próprias teorias sociais com uma vida repleta que, por meio de improváveis
conversões e mudanças bastante sinuosas, ancorou-se em um fiel compromisso com
a ciência, com o institution-building intelectual e com a justiça social. De um
ponto de vista sociológico e acadêmico, Bourdieu teve uma trajetória
improvável. Como Raymond Aron gentilmente lembrou, Bourdieu foi uma exceção às
leis de transmissão do capital cultural que ele mesmo estabeleceu em seus
livros iniciais” (WACQUANT, 2002, p. 96).
Referência
da sociologia moderna, Pierre Bourdieu trouxe preceitos de Émile Durkheim na
construção dos fatos sociais para que fosse possível configurar um objeto de
estudos, preparando um quadro de referências, com questões adequadas que possam
dar abertura a respostas compreensíveis. “Os conceitos primários formulados e
aperfeiçoados por Bourdieu são o de habitus e o de campo. A estes se agregam
outros, secundários, mas nem por isso menos importante, e que formam a rede de
interações que orienta a sociologia relacional, a explicação, a partir de uma
análise, em geral fundada em estatísticas, das relações internas do objeto
social. A teoria do habitus e a teoria do campo são entrelaçadas. Uma é o meio
e a consequência da outra (Vandenberghe, 1999:61). Para seguir os passos do processo
investigatório de Bourdieu é essencial compreender estes conceitos tanto
separadamente quanto na forma como se articulam” (THIRY-CHERQUES, 2006, p. 32).
Dentro
do contexto de campo, a busca foi a separação entre os opostos objetivismo e
subjetivismo fundamentados na coletividade, a qual está permeada por um sistema
de relações estruturais praticamente invisíveis aos olhos dos dominados. “O
social é constituído por campos, microcosmos ou espaços de relações objetivas,
que possuem uma lógica própria, não reproduzida e irredutível à lógica que rege
outros campos. O campo é tanto um “campo de forças”, uma estrutura que
constrange os agentes nele envolvidos, quanto um “campo de lutas”, em que os
agentes atuam conforme suas posições relativas no campo de forças, conservando
ou transformando a sua estrutura” (BOURDIEU, 1996:50). Para Pierre Bourdieu,
“às diferentes posições que os grupos ocupam no espaço social correspondem
estilos de vida, sistemas de diferenciação que são a retradução simbólica de
diferenças objetivamente inscritas nas condições de existência” (BOURDIEU,
1983, p. 82). Essas condições de existência se configuram em uma relação de
força que muitas vezes são ofuscadas pela legitimidade, o que acaba garantindo
o sentimento de liberdade dos dominados. Da construção de discussões sobre
dominação, abordando temas como educação, cultura, literatura, política, mídia,
entre outros, como organização social, liberalismo, globalização e até a
crítica à própria sociologia prática, a obra de Bourdieu se configurou como
clássico a partir do momento em que conseguiu contextualizar várias correntes
que precederam aos dias atuais, em um contexto prático analítico que se baseia
em uma fundamentação teórica concisa e estruturante para as próximas reflexões
possíveis relacionadas às novas mudanças da sociedade. Saiu de discussões
puramente macro e conseguiu configurar o micro facilitando, assim, a análise da
prática social. Uma conquista que, entre outras, tornou seus livros uma leitura
obrigatória.
Responda:
1- Qual o objeto de
estudo privilegiado por Bourdieu?
2- Quais os
principais conceitos abordados e estudados por Pierre Bourdieu?
3- De acordo com Bourdieu,
quais seus conceitos sobre habitus, capital cultura e violência simbólica.